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O quarto estava muito escuro, e eu sonhava, tinha certeza disso. Era novamente aquela mulher, e eu me sentia fazendo parte dela, ela assemelhava-se á mim, e eu a ela, fazíamos parte do mesmo plano, eu podia sentir a sua tristeza, ela estava triste, pois acabara de perder o pai. Eu era parte inteira dela.
Sentei-me na cama, ainda chorando muito, ter sido a primeira a ver meu pai naquele estado lastimável foi triste demais, dolorido demais. Eu sentia tanto a sua falta, se Yenz estivesse agora ao meu lado, tudo seria menos doloroso de se enfrentar, eu não o via desde que fora visitá-lo na Bastilha, não sabia como, mas ele conseguira fugir, era o lado monstro dele, ele falava-me sempre sobre isso, o lado monstro que ele muitas vezes não conseguia dominar.
Escutei barulho em minha janela, vi seu rosto, seu riso triste era acolhedor para mim.
- Justinie? – Ele fechou a janela e veio me estendendo os braços, acolhedoramente. – Minha querida, tive muitos problemas, queria estar ao teu lado neste momento tão difícil, no funeral do teu pai, mas isso me foi impossível. Perdoe-me minha amada. Por favor meu amor, não fique assim.
- Foi desleal o que o fizeram Yenz! Foi por demais desleal. Mataram-no por trás, não o deram chance de defesa, papai era bom em duelar com espadas.
- Ah meu amor! Temo em lhe dizer que teu pai talvez não tivesse a menor chance, mesmo que o ataque não tivesse lhe ocorrido de modo tão desleal como foi.
- O que sabes? – Ele tomou meu rosto em suas mãos, acariciou-me as maçãs do rosto e secou minhas lágrimas.
- Temo que o que matou teu pai, não fora um mero humano. – Ele buscava as melhores palavras para falar-me sobre o que tanto me fazia sofrer. Como não dizer que me apaixonei por ele no primeiro momento em que o vi. – Ouvi falar que teu pai tinha inimizades com um vampiro demoníaco.
- Papai tinha inimizades com vampiros? – Aquilo me parecia terrível demais, eu sabia onde estava meu Cetro Lunar, e algo me disse que eu precisaria dele. – Tu sabes que tenho um Cetro poderoso?
- Sim.
- Quando mamãe pediu que eu procurasse Marie na floresta para resgatá-lo, Marie, que era a mulher que o guardava, me disse que ele era importante pra lidar com vampiros e com lobisomens.
- É importante que você saiba que este Cetro pode me fazer mal.
- Não, ele corta o efeito da lua sobre a transformação de lobisomens.
- Ele é muito importante então. É fundamental de que estejas de posse dele, sempre que estiveres ao meu lado, eu nunca sei quando perderei o controle diante de ti.
- Não o temo. Eu o amo Yenz, jamais temerei a ti.
- Eu poderia ter lhe ferido ontem, poderia ter lhe matado. Isso é sério meu amor.
Yenz me abraçou, segurou meu rosto com delicadeza, ainda me faltava ar quando ele me beijava, sentia o calor de seus lábios junto aos meus, suas mãos deslizavam suavemente por minhas costas. Ele parou repentinamente e se afastou de mim.
- Penso que devo ir agora. Não ficaria bem para uma mademoiselle ser pega com um homem em seus aposentos.
- Por favor, Yenz, fique.
- Justinie, meu amor, não sei se devo. Sou homem e... – Me atirei em seus braços, às lágrimas me desciam o rosto novamente, me apavorava a idéia de ficar sem meu amor ao meu lado.
- Fique...
- Tudo bem. – Ele me deitou em seu colo e acariciou-me.
- Clair? Clair você está sonhando?
- Hummm?
- Amor? Tá sonhando?
- Estou acordando... – Murmurei. Todo o cenário havia mudado e agora eu estava ao lado de Pierre na cama, o modo como ele me tratava e Yenz tratava Justinie, impossível não relacionar um ao outro.
- Você estava sonhando?
- Acho que sim. Sonhei com aquela mulher que Raven mencionou.
- O que você sonhou?
- Lembro-me apenas de fragmentos. Parece que ela havia acabado de perder o pai, ela estava sendo consolada por um homem, que me parecia ser o marido ou o noivo dela, mas do nada, ambos começaram a falar de vampiros e lobisomens, e ela mencionou um Cetro. E o mais curioso é que existe no Louvre um Cetro que possui o nome Voyalle, você sabe disso!
- Do Cetro? É verdade, fui eu quem lhe mostrou, lembra?
- Sim. Ela falou deste Cetro, disse que ele era importante na luta contra vampiros.
- Um Cetro de bruxaria só pode ser usado por uma feiticeira poderosa, feiticeiras aprendizes não podem manuseá-los. Definitivamente não pode ser usado por qualquer um. – Ele acariciou meus cabelos e se levantou, beijando meus lábios. – Vamos ver o Raven, você poderia falar com ele sobre este sonho. E você vai conhecer um amigo meu que também entende de sonhos, ele pode te ajudar.
- Um vampiro?
- Claro que sim linda! – Ele me deu outro beijo, agora mais demorado. – Já tem idéia de como vai se arrumar?
- Ainda não sei. Tem alguma idéia pra me dar? – Ele parou na porta do meu guarda roupa e meneou positivamente a cabeça, abriu-o e procurou entre minhas roupas, retirou dois vestidos de gala, um preto e outro vinho e os levou até mim.
- Esses dois, qualquer um deles vai lhe fazer a mademoiselle mais elegante e maravilhosa da festa.
- O preto é mais longo, está frio, acho que é melhor.
- Ele te deixa com o colo bastante realçado.
- Modo gentil de me dizer que ele me deixa peituda. – Eu sorri e ele também.
- Peituda é muito hostil. – Ele ainda ria. – Te chamar de peituda é vulgar, chulo, dizer que seu colo fica realçado é um elogio gentil. Vantagens de ser homem, ou do sexo masculino, já não consigo me achar um homem, assim meramente. Bom, enfim, não tenho que me preocupar com roupas.
- Eu consigo achar um homem e tanto aí... – Puxei-o pelo braço, fazendo com que seu corpo ficasse sobre o meu, beijei-o. Ele estava de calça apenas, dorso nu, fiz de conta que não vi meu hobby caído, deixando um de meus seios em contato com seu corpo. Eu vi sua excitação. Ele me beijou os lábios com fulgor e levantou-se um pouco, vislumbrando toda a minha silhueta. – Viu como você ainda é um homem? – O abracei, senti seu corpo em contato ao meu, amava aquela sensação.
- Tudo bem, eu me rendo a você linda, eu ainda sou um homem, ou uma parte de mim. – Ele me beijou novamente e me acariciou todo o corpo levantando-se da cama. – Agora minha linda mulher, nós temos que nos arrumar pra uma festinha chata, porém necessária, eu me viro rápido, agora a mademoiselle leva um bom tempo entre o chuveiro e o último retoque do batom.
- Sou uma mademoiselle, tenho que me arrumar bem.
- Eu sei disso! – Outro beijo, um convite para ser abraçada. – Um banho juntos? O que me diz?
- Tentador. – Ele já estava me levando para dentro do banheiro, havia apenas uma toalha lá.
Até conseguimos tomar um banho rápido, sem muitas distrações, porém algumas eram simplesmente inevitáveis, eu não resistia a seus carinhos e nem ele aos meus, inútil tentar fazer o contrário. Sentia-me plena assim, em seus braços, entregue á ele. Coloquei meu roupão quando saímos do banho, e ele antes mesmo que eu pudesse pegar a maleta de maquiagens já estava praticamente pronto, eu adorava o seu estilo desleixado de se vestir, mas creio que nenhum homem ficaria tão bem em um smoking como ele ficava. Comecei a me maquiar rapidamente, tomando cuidado para não deixar traços exagerados e aparentar ser uma mulher de baixo nível. Pierre sentou-se na minha cama e ligou a TV, procurou o canal de filmes e estacionou em um que tratava do tema zumbies, parei de fazer o que fazia e olhava-o.
Devia ter algum tipo de problema, as memórias me vinham a mente agora com facilidade absurda, logo eu, que sempre fui tão esquecida, lembrei-me do dia em que o conheci, estava iniciando o colegial, Paris parecia grande demais pra mim, eu não tinha noção de como voltar pra casa, papai havia me presenteado com um apartamento belíssimo na parte central da cidade, e eu sabia que minha escola não ficava longe de lá, mas ainda assim estava perdida. Fiquei tão desconcertada, dei um belo encontrão com um homem, era Pierre e no momento que o vi pela primeira vezeu soube que ele era o homem que eu amaria para sempre, ele ainda estava nervoso por ter trombado com um louca desorientada. Deixei o delineador cair no chão.
- Hei Linda! – Ele me estendeu o delineador, encostou sua testa na minha. – Está tudo bem?
- Lembrei-me do dia q eu te conheci.
- Uma louca! – Ele riu e meu beijou. – Você parecia uma louca! A louca mais linda que eu já vi. Eu ia te xingar, mas quando vi seu olhar, aquele sorriso desconcertado, você me rendeu pela primeira vez, fui incapaz de lhe ser indelicado.
- Você foi gentil, me mostrou toda a cidade, os atalhos, os lugares tranqüilos e perigosos.
- Não se atrase linda. – Ele me beijou os lábios com todo o amor que eu gostaria de receber. – Eu prometo que quando passar a chatice da Seita, eu te levo em um lugar legal.
- Estou com medo de essa reunião ser terrivelmente chata. – Ele voltou a se sentar na cama. Não demorei muito pra terminar de me arrumar. Como sempre fazia pedi que Pierre me ajudasse com o vestido. Ele havia alugado um carro no dia anterior, ele desceu na frente para buscá-lo.
O lugar onde a reunião aconteceria me surpreendeu, um castelo lindo, ficava fora de Paris, estávamos em um castelo maravilhoso, o Château de Fontainebleau, haviam tantas pessoas que deixei meu queixo cair. Pierre sorriu enquanto me olhava.
- Lindo não é?
- Maravilhoso demais!
- O Villon ama este lugar, e ele realmente é muito bonito.
- Todos, todos eles são vampiros? – Perguntei ainda tonta com a beleza do lugar.
- Não, nem todos, os serviçais são humanos, nossos escravos.
- Eles sabem o segredo?
- São nossos escravos, nem tem vontade própria, eles podem saber o segredo, apenas eles.
- Escravos?
- É meu amor, escravos. Não se preocupe com isso meu amor, eles ficam bem.
Seguimos a fila de carros, uns três veículos, penso eu. Pierre parou o carro e um homem trajando um terno com gravata vermelha aproximou-se.
- Monsieur Legrand, creio que esta seja Mademoiselle D’Vielmont, caso ocorra algum imprevisto Monsieur Voyalle pediu que informasse á todos que são joalheiros, que trabalham artesanalmente diamantes.
- Sim, eu entendi. Obrigado. – Pierre desligou o carro e estendeu a chave ao homem e levantou-se do banco abrindo a porta.
O homem deu a volta no carro e abriu a porta pra mim. Estendendo-me a mão.
- Mademoiselle D’Vielmont, sugiro que a Mademoiselle use seu casaco, se estivéssemos mais próximos uma semana do inverno eu diria que esta noite iria nevar.
- Claro, seguirei o seu conselho. Muito Obrigada.
Pierre me estendeu seu braço, o caminho já não era tão longo até a entrada do castelo, o nome Voyalle me chamou muito a atenção.
- Quem é o Monsieur Voyalle ao qual este homem referiu-se? – Perguntei.
- É o Martin. Ele é seu parente sim, não é mera coincidência. Você vai conhecê-lo logo.
- Estou ansiosa pra tudo que pode vir a acontecer. Ansiosa no sentido de nervosa mesmo.
- Vai dar tudo certo meu amor. – Abaixei o rosto, tudo aconteceu tão rápido, foi mais veloz que eu poderia acompanhar, mas eu vi tudo.
Volmont aproximou-se de nós, pulou como um animal sobre Pierre, dando socos fortíssimos em seu rosto, escutei um ruído seco, como ossos se quebrando, eu não entendia o motivo daquilo estar acontecendo. Aida veio correndo com um homem louro de cabelos curtos, e um outro de cabelos negros compridos veio de outra direção. Quando percebi que Volmont iria atacar novamente me coloquei entre eles, Pierre ajoelhou-se no chão e cuspiu sangue no chão, seu nariz também sangrava bastante, um corte no supercílio e outro na linha do queixo. Volmont deteve sua próxima investida antes de me acertar ao invés de Pierre por muito pouco. O homem de cabelos negros, e olhos tão escuros quanto, se aproximou de nós, ele era muito alto e era branco como nós, seu olhar era muito sombrio, porém não parecia um homem mau.
- Eu posso saber o que está acontecendo aqui? – O homem se divertia um pouco.
- Josh! – Pierre o abraçou amigavelmente, e o homem retribuiu da mesma forma o gesto.
- Você está sempre metido
- Você me conhece? – Perguntei, minhas mãos sujas de sangue me deixavam ainda mais nervosa.
- A vi umas duas ou três vezes, Pierre sempre te protegeu como se protege algo raro e precioso, totalmente compreensível.
- O que foi isso Val? – O homem louro perguntou.
- Ele estava com ela, eu não me contive. – Volmont respondeu desconcertado.
- Val, meu amigo, qualquer um de nós sabe como funciona as hierarquias aqui. Não mude as coisas. – Volmont olhou-me, senti-me invadida por sua tristeza, ao que tudo indica aquilo foi um ataque de ciúmes. Ele se retirou sem olhar pra trás ou se desculpar.
O homem louro também abraçou Pierre.
- Cara, isso foi feio! Ele acabou com você. – O homem sorriu.
- Nem diga. – Pierre me abraçou e me beijou, senti um gosto de sangue vindo de sua boca e aquilo me fez tremer. – Vai ficar tudo bem amor. Estes dois são meus amigos, Josh e Davi. – Cada um me acenou enquanto Pierre mencionava seus nomes. – Davi é seu irmão, Aida vai te apresentar melhor á ele e a outra irmã de vocês logo.
- Olá, parece que vocês sabem mais sobre mim que eu sobre vocês.
- Sim, Pierre jamais poderia falar muito de nós pra você. Mas soube que ele fez algo pior, falou a verdade sobre si mesmo. – Ele deu um tapa nos ombros de Pierre e deu as costas. - Não sei quanto á vocês dois, mais eu estou morrendo de frio aqui fora. Até logo.
~~~~> Oi amigas e amigos.... Sei que ficou grande, era pra ter ficado ainda maior, desculpem-me, mas é que este era um dos maiores capítulos, estava com quase dez páginas, eu consegui resumir em 4 e meia. No próximo post eu liqüido essa festinha de uma vez, estou falando dela á umas quatro postagens. Gente, amei os comentários de vocês, acho lindo o carinho de vocês!!!!!! Beijos e abraços pra todos!!!!!!
~~~~~~>> Mein Herr, Ich Liebe Dich!!!!! 10000000 Küsses!!! Ich Vermißte Ihre Anmerkungen Hier!!!!
...A Dama da Noite...
5 Dá o grito aí!:
Mein Dame, não se preocupe com o tamanho do texto, sua estória é tão envolvente que faz parecer qualquer post tão breve e tão curto... Mas tudo bem, estou aguardando pela próxima parte, e vc sabe quanto eu torço pra Clair descobrir sua verdadeira origem, e do que ela realmente é capaz. Adoro os fundamentos de sua estória minha dama, suas inspirações... vc sabe, nao precisa dizer. TE AMO MUITO!!! Sempre sinto tanta sua falta minha linda... eternas saudades.
Ass: Ewig Herr, 1.000 kusses
Caraca o que posso dizer, até eu senti o gosto do sangue a hora que o Pierre beijou a Clair... ataque de ciumes vampiresco é algo meio bizarro mas adorei...
nem me importo de estar grande, leio o que você escrever Dama, pode ser a narração do jogo de futebol entre os times que eu mais odeio... rsrs
poste logo quero saber o que mais rola na festinha!
vejo voce dia 20.. beijos!
Aff...
A cada post esse conto vai ficando melhor amiga...
Mas eu já conheço dos seus dons, e sei que ainda tem muuito pano pra manga.. rsrsrs e eu cada dia mais curiosa... rsrsrs.. Vejo vc dia 20²!!
PARABÉNS por mais um ótimo post!!
Amo vc!!
BjoKs
Grande??? Discordo... acho que o post poderia ser maior sem nenhum problema. A historia é inebriante.
Pessoas, desculpe nao ter postado o resto do meu conto, mas facul ta matando. Mas esse fds deve rolar.
E vejo vcs dia 20³!!!
MELDEUS.....
nao achei nada grande este post...
pelo contrario acho que poderia ficar maior.....
vc so me deixou mais curiosa para saber o final....
como sempre seu post ficou perfeito....
vejo vcs dia 20....
xoxo
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