
PERÍODO II
- Tome. – Disse-me entregando a taça com o líquido.
- Não! Eu não quero! Quantas pessoas morreram pra fazer esta festinha?
- Não seja tola menina! Isso é sangue de transfusão, ninguém morreu pra te alimentar, e nem precisa morrer pra isso. Basta você pensar sua tolinha! Quantos mortais existiriam se nós matássemos nosso alimento?
- É... Eu não sabia... – Estava constrangida. Peguei a taça em suas mãos e bebi em um só gole o sangue que me era oferecido.
Ele me era pouco e eu queria mais. Percebi um pequeno frigobar onde estávamos. Os servos humanos levavam um desses para todos os cantos onde haviam grupos de vampiros reunidos, dentro havia inúmeras bolsas de sangue. Eu não sei precisar quantas taças deste líquido delicioso eu bebi, mas não foi pouco, disso tenho certeza. Aida e Leona estavam sentadas, Davi permanecia de pé, recostado em uma pilastra de estilo romana, com detalhes incrustados em seu mármore. Passou-se um tempo sobre o mais absoluto silêncio, e este foi interrompido por Leona, dizendo que já era hora de entrarmos.
- Escute sua tolinha. – Aida me puxou pelo braço quando já estávamos na porta. – Não diga nada além do seu nome, diga apenas o seu nome e que você é uma vampira cantora, apenas isso bastará.
- Eu farei assim.
Entramos, havia muita música dentro do salão principal, alguns casais dançavam, outros se reuniam em grandes mesas redondas e conversavam. Em uma mesa bem ao fundo salão vi Volmont, e um grupo de vampiros tão aterrorizantes quanto ele, deformados, com aspecto estranho e amedrontador, fiquei parada na entrada do salão, Aida me puxou pelo braço.
- Nunca te disseram que não era educado ficar olhando os feiosinhos não? – Senti aquela estranha sensação de que havia sido pega fazendo algo errado.
- Não foi proposital. – Afirmei.
- “Não foi proposital”. – Aida repetiu me ridicularizando. – Tantas mulheres de pulso e fortes, me entregam uma como você.
- O que eu tenho de errado? – Indaguei.
- Você me pergunta? – Ela me encaminhou até uma mesa, sentei-me. – Você é submissa, deixa sua vontade de lado. Já percebeu que se Pierre lhe mandar pular em um abismo ou caminhar no sol, você faria sem medo algum. Você se mataria por ele...
- Isso é amor, eu o amo! – Interrompi desesperada.
- É idiotice! É tolice! – Ela ralhou comigo. – Se você o ama bom para você, mas quem se envolveu no seu processo de criação, sabe que você era uma mulher totalmente submissa á Pierre. – Ela fez uma pausa. – Amar, não é ruim, mas você percebeu que em todo este tempo que você viveu com ele somente agora ele te trata com carinho?
- Ele não podia...
- Mas ele também nunca lhe deixou tentar ser feliz. – Ela afirmou. Ela estava certa, não que eu concordasse, mas Pierre nunca me deixou totalmente, ele sempre me rondava.
- Não quero me intrometer Aida, mas escutei a conversa. – Davi aproximou-se de nós na mesa e esticou seu pescoço para adentrar ao nosso assunto. – Sou amigo do Pierre desde que me tornei um vampiro, ele foi um dos primeiros que me aproximei quando vim para Paris, ele me ajudou com o idioma novo e todos sabem que ele, Josh e eu somos grandes companheiros. Eu acompanhei o romance destes dois através de conversas com ele, e ele é totalmente apaixonado por ela.
- Não questiono isso Davi. – Ponderou Aida. – Mas todos sabem que ele não deve interferir na vida dela agora, e eu temo que ele interfira mesmo sabendo que não deve, ele sempre interferiu, porque não interferiria agora?
- Não digo isso Aida, e eu também concordo. Pierre sempre soube minha opinião sobre isso tudo. Sempre deixei claro pra ele que este romance que ele tinha com uma mortal não era bom, que seria mal para ambos, mas principalmente pra ela. Mas eu também o entendia, abrir mão da pessoa que você ama e fingir que um sentimento assim nunca existiu, é impossível. Quando ficou claro para o nosso clã que Clarissia viria a se tornar uma de nós, eu compreendi o desespero dele e também seu impasse diante de tudo, ele não queria que ela fosse uma de nós, mas se realmente isso fosse acontecer, como de fato aconteceu, é bem compreensível que ele tenha desejado que ele fizesse isso. – Ele tomou fôlego. – Ele não vai interferir da forma que você pensa.
- Isso veremos. – Sentenciou por fim. Encerrando a discussão.
Talvez Aida tivesse um fundo de razão, sempre fui a mulher frágil, necessitada de proteção, sempre tive alguém que me livrava de perigos, que me ajudava nas dificuldades, nunca enfrentei meus problemas sozinha, em Marselha meus pais e meu irmão sempre estiveram ao meu lado, resolvendo tudo por mim, quando fui para Paris, Pierre tomou para si esta responsabilidade, e passou a responder por meus atos e a me proteger das conseqüências destes. Fiquei no mais profundo silencio, mal percebia o que um grande grupo de vampiros faziam no centro do salão, mal percebi suas feições, mas entre ele reconheci um rosto, o de Raven. Pierre me olhava do outro lado do salão, estava conversando com um casal, e a mulher me parecia familiar. Vi aquele rosto, aquele jovem homem, cabelo louro bem cortado, usava uma jaqueta de couro e uma calça jeans, diferente do restante dos vampiros que se apresentavam em trajes formais e de gala, seus intensos olhos verdes estavam sobre os meus. Todo aquele salão foi sumindo em minha frente, pensei que iria cair e me segurei no braço de alguém.
Justinie, ela novamente. Estava sentada em uma cama, sentia-me muito mal. Meu filho mais velho havia entrado no quarto agora, mas não me olhava nos olhos.
- Eu não o odeio querido. – Disse tentado romper aquela barreira de gelo que ele construiu entre nós.
- Mas você odeia o que eu me tornei mãe. – Ele respondeu com voz embargada.
- Nunca meu amor. Tu és o meu filho! Jamais o odiaria!
- É tudo culpa dele. – Ele disse rancoroso.
- Tudo que teu pai fez, foi para nos proteger Martim. Proteger a ti e ao teu irmão, proteger-me.
- E morreu pra esta tolice acontecer mais tarde. – Ele alterou seu tom de voz. – aquele estúpido nunca disse á mim e meu irmão o que era, proibiu-te de nos dizer, e agora, eu o filho mais velho carreguei a maldição que ele nos lançou. A Gárgula disse-lhe que este seria meu futuro, e nem tu e principalmente ele, nunca fizeram nada para impedir.
- Realmente, eu poderia ter matado a ti e ao teu irmão, assim que abandonassem meu ventre. – Respondi secamente, magoada pela falta de consideração que Martim me demonstrava.
- Não quis dizer isso. Mãe se Yenz houvesse nos dito que tínhamos o sangue dos licantropos, teríamos tido a chance de salvar-nos desta maldição.
- “A tua prole virá para o nosso lado, aqueles que carregarem o maior potencial”. – Repeti as palavras da Gárgula. – Eles queriam você Martim, nem teu pai, com toda a força que tinha, poderia lutar contra toda a Seita dos vampiros da França.
- Clarissia você está bem? – o braço que eu agarrava com força absurda para não cair era de Davi. Ele me segurou pelos ombros, vasculhei todo o salão analisando se eu havia chamado atenção de alguém.
- Sim. Estou. Eu acho que sim. – Respondi, procurei novamente aquele homem, ele continuava me olhando, tenho certeza de que ele percebeu meu quase desmaio. – Davi, você sabe quem é aquele homem louro de olhos verdes e jaqueta de couro? – Perguntei.
- Claro. Ele é o Martim. – Ele me encarou. – Acho que ele é da sua família.
- Sim, ele é. – Afirmei. Sentia minha cabeça girando, as luzes se misturavam, formando um borrão em minha frente, sentia-me fraca, estranha. Escutei algumas vozes, mas desta vez não era distinguível, sentia-me tonta e queria correr dali. – Davi, preciso sair daqui. – Pedi.
- Você não pode sair agora. – Ele me olhou, percebeu que havia algo errado comigo. – O que você está sentindo?
- Não sei. – Davi inclinou-se para o lado, não consegui perceber o que ele fazia. Senti um par de mãos segurando meu rosto, já não conseguia enxergar um palmo á minha frente.
- Agora é hora de deixar este mundo pra trás. – A voz ordenou. – Abra seus olhos. – Ele segurou ainda mais firme. – Mas que merda é essa? Tem alguém sondando com muita força a mente dela! – Ele ficou um tempo em silêncio. – Está na hora, ordeno que saia! – Senti um alívio absurdo, imediatamente voltei a enxergar o que se passava á minha volta, era Josh quem segurava meu rosto. Só então percebi que a mesa onde ele estava sentado era ao lado da que eu estava, e que tudo que nos aconteceu não chamou atenção dos demais porque estávamos escondidos por uma pilastra.
- Pensei que fosse desmaiar. – Respondi envergonhada.
- Martim estava sondando sua mente. – Josh sorriu. – Qual é o seu segredo?
- Martim pode fazer isso? – Perguntou Davi com um sussurro.
- Naturalmente não. Ele aprendeu com o Raven. – Josh respondeu com o mesmo sussurro. – Eu consegui expulsa-lo, e pelo modo como ele está me encarando, ele não ficou feliz. Melhor pararmos de conversar agora, estamos começando a chamar atenção demais, lá fora eu te explico melhor Clarissia, o que estava acontecendo.
Foi tão rapidamente, escutei uma voz masculina grave chamar por meu nome. Senti-me mais presa que nunca a cadeira, por nada no mundo queria me levantar de lá.
- Mademoiselle Clarissia D’Vielmont Voyalle? – O homem alto e careca chamou novamente, ele parecia um armário de tão forte. Aida me empurrou para fora da cadeira, não tive outra escolha, levantei-me e caminhei lentamente até o homem que me chamava. – Ah! Até que enfim resolveu dar o ar da sua graça. – Ele parou para me analisar. – Vamos Mademoiselle, diga teus propósitos. – Propósitos? Perguntei-me.
- Sou Clarissia D’Vielmont Voyalle. – Escutei um burburinho. Martin encarou-me ao escutar o sobrenome de sua mãe. Ele me passava algo estranho, sentia-me mal o encarando, preferi ignora-lo. – Sou uma cantora.
- Foi traga para o mundo das trevas na última noite correto?
- Sim Monsieur.
- Á quanto tempo sabe de nossa existência Mademoiselle? – Procurei imediatamente por Pierre, ele encorajou-me, quase o escutei dizendo-me para falar a verdade.
- Soube na noite anterior a minha transformação, Monsieur.
- Quem lhe disse sobre nós Mademoiselle? – Novamente procurei o olhar de Pierre, e novamente ele encorajou-me a ser verdadeira.
- Soube por Pierre, Monsieur.
- Pierre Legrand, é deste Pierre que se refere Mademoiselle? Pierre Legrand, o Artista?
- Sim Monsieur, Pierre Legrand.
- Vá se sentar Mademoiselle. – Fui imediatamente.
- Muito bem, Monsieures, Mademoiselles. Ficou claro que o Monsieur Legrand violou nossa mais sagrada Lei. – Um homem com aparência mais madura que da grande maioria levantou-se.
- Que tolice voltar á esta discussão! – Disse com autoridade. – Pierre já foi julgado por nós, teve a punição merecida e não cabe a ninguém mais julga-lo. – Este homem era tão confiante que nem se deu o trabalho de esperar uma resposta, sentou-se e brindou com os que estavam sentados com ele.
- Raven? O que nos diz? – Perguntou o homem forte que falava á todos.
- Eu? – Ele questionou rindo. – Eu estou indo brindar com meus irmãos e irmãs. Esta discussão é uma tolice! – Raven saiu em direção á mesa de Pierre.
Percebi que Leona o acompanhava com os olhos.
- Se isso a machuca tanto minha senhora, porque insiste com esta vingança tola contra ele? – Escutei quando Davi a perguntou.
- Ah! Você é amável demais meu amado. Jamais entenderia o mal que este vampiro me fez. – Percebi que ela não queria falar sobre isso.
~~~~~> Pessoas que eu adoro demais, por hoje acabamos, quarta feira eu volto e deixo o período final pra vocês... Espero que o conto continue agradando tanto quanto agradava antes...
~~~~~~>>Mein Herr, Ich Liebe Dich!!!!!!!!!!!!!!! 10000000000 Küsses.....
...A Dama da Noite...
1 Dá o grito aí!:
Opa. primeiro a comentar!!!!!
E ja estou ávido por mais...
Mais uma vez parabens Dama da Noite...
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