quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Conto - Parte IX


Martim deixou a casa de Pierre irritado com a petulância do mesmo, Pierre era um mero novato na vida noturna comparado á ele, dizer tudo que ele ousou dizer era como um desafio, um pedido de morte. Lamentava que não fosse permitido decapita-lo sem um julgamento, sem a autorização daquele maldito príncipe de Paris. Que idéia, julgar que fora um apaixonado pela própria mãe, um incestuoso, jamais!

Ninguém jamais compreenderia a relação que tivera com a mãe, jamais seria incestuosa, depois que o maldito pai sumira, ficaram apenas os três, o irmão era um bebê e ele um pouco mais velho, ainda criança teve de tomar conta das finanças da família, ser o homem da casa, cuidar da mãe, servir de base na educação do irmão. A mãe era uma feiticeira, uma mulher boa, todos nas redondezas da vila em que viviam a procurava buscando ervas, conselhos, pediam comunicação com seus mortos, mas estavam em período de Inquisição e todo o cuidado com os moradores da vila era pouco. Amava a mãe, ela era tudo que ele tinha, conseguiu ser um grande homem por ela, por sua instrução, eram amigos, uma relação fraterna, intensamente fraterna.

Continuou andando sem rumo, sem destino para aquela noite, mal se dava conta que o sol, seu eterno algoz já aguardava ansioso seu momento de elevação, o sol já se aproximava. Ao notar que o dia ganhava uma tonalidade arroxeada, buscou um lugar afastado, tomou a forma de um lobo branco; e até nisso Raven dizia que ele se assemelhava ao maldito pai, segundo ele, Yenz tornava-se um lobo branco em seu último estágio lycantropo; e correu sem se importar com alguns poucos olhares curiosos, precisava encontrar logo algum esconderijo seguro.

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Lua cheia. Céus! Estava exuberante demais! Parecia até mais próxima de nós, detestava as festas da nobreza, repleta de bajuladores do Rei e dos privilégios que ele trazia á nobres. Ao contrário da grande parte da nobreza meu pai se recusou a mudar-se para o Palácio de Versalhes, e eu agradeci por isso. Mas ele tinha nome, nome nobre, casa nobre, o Rei queria paparicar os nobres e ser paparicado por eles, o nosso Rei Sol, como gostava de ser chamado.

Fui até a varanda de Versalhes, suas paredes ainda tinham cheiro forte das pinturas. As imensas colunas de ouro, tudo meticulosamente preparado para inebriar a visão até mesmo dos mais ignorantes, que nada entendiam de arte.

- Posso?

- Me assustaste!

- Perdão Madamoiselle, jamais tive a intenção de assustar-te. – Encarei o homem que me cercou repentinamente, seu rosto tinha um quê de selvagem. Por seus trajes pude perceber que embora estivesse ali como um convidado, ele não era um nobre. – Achei educado cumprimentar-te, A Madamoiselle encontrava-se no recinto em que adentrei, não desejei que fizesses mal juízo.

- Muito gentil de tua parte monsieur, eu conheço-te?

- Creio que não. Definitivamente não estou vinculado ao teu círculo de convivência.

- Quem és tu, monsieur?

- Trabalho para um Duque, um nobre de influência, presto alguns serviços agrícolas á este monsieur, este monsieur não tem filhos, e embora seja um mero criado teu, trata-me muito bem, como um membro de sua família, ele queria que eu o acompanhasse até aqui, nesta festividade, peguei emprestado roupas antigas de mon patron.

- E, se não for intromissão demais de minha parte, por qual motivo estás aqui fora e não lá se divertindo?

- Minha cara Madamoiselle, este não é o meu mundo, é o teu! Estou aqui por gratidão ao mon seigneur, mas meu lugar é junto á terra, cuidando de plantas, de flores e de hortaliças. Não sou um nobre, jamais serei um.

Escutei a música tocar, uma bela valsa, um homem belo á minha frente. Sorri para o meu interlocutor, e ele me sorriu também, em resposta.

- O monsieur dançaria comigo?

- Creio que a madamoiselle detestaria bailar comigo, aparentas ser leve como uma pluma e és elegante como uma ave, um cisne belo, com plumagem exuberante e que desfruta a cobiça de todos os messieurs. – Abaixei os olhos, encabulada com seus elogios. – Não creio que estejas desconcertada com o que lhe disse. De certo é a madamoiselle mais bela deste salão, talvez a mais bela de toda Paris...

- Por favor, pare! – Pedi, meus olhos ardendo. Sentia-me tão envergonhada, quase despida diante daquele homem, seus olhos pareciam varrer minha alma, me sondavam profundamente, senti um tremor leve em meu corpo, vontade de abraçá-lo com força e sentir seu cheiro.

- Me desculpe, perdão madamoiselle! – Ele segurou minha mão, mesmo com luvas de veludo pude sentir o calor das suas mãos nas minhas. – Não quero infortuná-la. Sóis bela como somente os anjos do paraíso seriam, eu fiquei perdido por um momento nos teus belos olhos de mel, tem o mesmo tom do mel das abelhas e posso afirmar com toda minha certeza, tem o olhar tão doce ou ainda mais que o mel destas abelhas ma dame. Estava perdido em ti ma belle dame!

- O monsieur está me encabulando! – Ele passou seu braço por minha cintura timidamente, segurou minha mão e conduziu-me á uma valsa. Senti teu corpo junto ao meu e quis deitar minha cabeça em teu ombro.

- Como lhe disse, não sou um exímio dançarino. Mas se ma belle dame permitir, posso tentar enganar-lhe com uma valsa.

Ele me conduzia suavemente pela varanda onde estávamos, ele mal saía do lugar, apenas me embalava levemente, queria que fosse pra eternidade aquele momento. Eu não sabia sequer o teu nome e nem ele o meu, mas eu sabia que ele me envolvia, que ele me deixava confortável. Perto dele eu estava aquecida, estava feliz ali.

- A madamoiselle ainda não me disse como eu devo chamá-la.

- Nem o monsieur.

- Sou Yenz, Yenz Larson.

- Justinie, Baronesa Justinie Voyalle.

- Uma Baronesa! ...

- Yenz? – Uma voz conhecida, Morrice Burnier, era um amigo de meu pai e freqüentava nossa residência. Yenz não me soltou, continuou com o braço em minha cintura, acariciou meu rosto com carinho e ternura.

- Devo partir agora ma belle. – Ele tocou meus olhos com a ponta dos dedos. – Mas deixo meu coração em tuas mãos, ele é teu!

- Yenz? Estás ai filho? – Monsieur Burnier aproximou-se, entrou no lugar da varanda onde estávamos, sorriu timidamente. – Baronesa Voyalle? Bonne nuit.

- Bonne nuit monsieur. – Respondi com as maçãs do rosto em brasa.

- Filho, este velho já está exausto demais. Não queria interromper a noite de jovens, já fui assim também, mas meu esqueleto precisa repousar em paz em um colchão, com um cobertor quente.

- Claro mon seigneur, imediatamente. – Yenz ainda me envolvia pela cintura, eu tentava me soltar com leveza, na realidade, eu não desejava que isso acontecesse realmente.

- Baronesa, talvez amanhã eu pudesse ir ter com vosso pai. Já faz tempo que não lhe faço uma visita. – Ele sorriu ao me dizer da visita. – Bonne nuit. Filho, não se demore, estou a lhe esperar no coche. – Yenz assentiu agradecido ao teu patrão.

Depois que ele se foi, Yenz me segurou com força, passou a mão por meus cabelos suavemente, creio que temendo atrapalha-los, deitou sua cabeça em meus ombros.

- Ma belle, teu cheiro nunca irá abandonar-me. Jamais sentirei cheiro tão perfeito como o teu, o cheiro mais perfeito que senti! Teus olhos estarão sempre em minha memória.

- Vá com Monsieur Burnier! Vá com ele amanhã!

- Talvez não seja...

- Por favor, por favor, vá! – Eu pedi, olhos marejados.

Yenz soltou minha cintura e segurou meu rosto, suas mãos calorosas me aqueciam. Ele se inclinou para mim, aproximou seu rosto do meu, senti o cheiro do ar que ele respirava, senti o cheiro do seu hálito. Seus lábios não tocaram os meus por muito pouco.

- Estarei lá. - Soltou-me.

Fiquei imóvel enquanto o via partir, eu não sabia o que era aquilo, não compreendia o que se passava, mas queria segura-lo comigo, queria que não fosse embora, queria que os seus lábios tocassem os meus.

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Pierre sentiu Clarissia se mexer freneticamente, e depois choramingou algo que não compreendeu, cobriu novamente a mulher que dormia nua em seus braços, beijou seus lábios, ela abriu os olhos assustada, parecia ter despertado de um sonho.

- Não quis te assustar amor.

- Pierre?

- Estou aqui? Tudo bem?

- Sonhei com ela. – Clarissia deitou a cabeça no colo de Pierre. – Céus! Foi tão real! Sonhei com a noite em que ela conheceu o marido. Yenz Larson. Se o nome do pai do Martim é Larson, porque ele não usa o nome dele por quê?

- É... Como vou saber? Vem, vamos deitar, ainda falta muito pra anoitecer.

- Eu... Eu, somente fiquei curiosa.

- Posso compreender ma belle. Agora venha, venha dormir.

- Do que você me chamou?

- Como assim?

- Ma belle?

- Sim. Algum problema? Você não gostou?

- Foi assim que ele a chamou. “Devo partir agora ma belle. Mas deixo meu coração em tuas mãos, ele é teu!”.

- Você sonhou que um homem lhe dizia isso?

- Não! Não era eu, era a Justinie. – Segurei o lençol em meu corpo para me levantar, mas fiquei um pouco zonza e tombei para o lado.

- O que houve? Clair? – Pierre me levantou para seu colo e me abraçou. – Você continua pensando nela e sonhando com ela, temo que talvez isso possa lhe fazer mal.

Eu não compreendo exatamente o que acontece, mas tenho certeza que isso tem algum fundamento. Pierre ainda olhava-me intrigado, mas nossa discussão sobre meus sonhos com Justinie teria de ficar para mais tarde.

Escutei a porta sendo forçada, Josh começou a pedir que abríssemos e batia eloqüentemente nela, Pierre pediu calma, levantou-se e vestiu uma calça. Eu apenas peguei meu hobby e continuei coberta.

- Quem morreu? – Perguntou Pierre.

- 3 Vampiros! – Eu o encarei incrédula, Pierre mudou seu semblante de leve irritação para um outro bem preocupado.

- Como assim?

- Lobos. Foi marcada uma reunião de emergência, Raven acabou de ligar e pediu que fossemos agora e juntos.

- Já sabem de algo? Como foi o ataque? Quem morreu?

- Não. Os corpos estavam carbonizados demais, assim que todos estiverem na reunião, que até o frouxo do Villon vai comparecer segundo o Raven, faremos uma espécie de levantamento.

- Nós vamos nos arrumar, não demoramos.

Josh concordou e saiu do quarto fechando a porta. Eu estava um pouco assustada, olhava Pierre que também parecia estarrecido com a situação, ele se sentou na cama ao meu lado.

- Nunca aconteceu isso antes na cidade, se este ataque aconteceu dentro de Paris, estamos todos em risco, em alto risco.

- O que são os lobos?

- Licantropos, lobisomens, são bem parecidos com os do cinema, mas são ainda mais perigosos.

- Yenz parecia não ser perigoso.

- Pode ter certeza que nem mesmo Justinie se atreveria a ficar perto dele quando estivesse transformado. Para um lobo em fúria, não existe amigos, família ou mulher amada, só existe sua ira.

- Você está me deixando ainda mais assustada. – Pierre me abraçou, apertando-me nos seus braços.

- Eu vou te proteger amor, foi uma promessa! Nunca deixarei de te proteger. – Ele acariciou meus cabelos. – Troque-se, estamos atrasados.

Antes que eu me levantasse da cama Pierre já estava praticamente pronto, calçando seus coturnos, tentei me agasalhar o melhor possível, porém tinha pouco agasalho para dias nevados na casa de Pierre, ele me deus uma jaqueta muito grossa e que em mim quase serviu como um sobretudo.

Todos já nos esperavam na sala, seguimos até o casarão que ficava quase no centro de Paris em silêncio e apreensivos. Intimamente todos sabiam que estavam com a segurança altamente comprometida.



~~~~~~~~> Queridas(os), sei que sumi, desculpa X10000... Vocês sabem que este ano foi bem complicado pra mim. Perdoem a minha ausência do Malditos, e ausência como amiga também. Agora estou de volta e cheia de idéias, porém ainda sem aderir a nova ortografia... rsrs... Amo Vocês!!!!

~~~~~~~~~~>> Mein Herr, Ich Liebe Dich!!!!Küsses und mehr küsses!!!

...A Dama da Noite...


2 Dá o grito aí!:

Gossip Girl disse...

Dama simplesmente perdi a seqüencia do conto, vou ter que reler tudo. e juro que assim que ler posto um comentário decente a respeito. saudades, espero te ver em breve, a Whisper te contou da nossa ideia?

xoxo

Vinícius disse...

Aposto que os vampiros mortos estavam rezando em algum lugar quando foram atacados! kkk, brincadeiras a parte, tudo pra mim é muito familiar nesse conto, principalmente a forma como seus personagens se tratam. Pode o mundo cair lá fora, que Pierre e seu amor dificilmete seria abalado, afinal de contas ele tem um forte motivo para viver em seu próprio mundo em decadência por ser vampiro, mas ao mesmo tempo é um mundo bastante tentador. Vou ler a próxima parte agora....