terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Conto - Parte X


O lugar parecia um casarão abandonado, nevava como há muito não nevava em Paris, fazia muito frio. Pierre estacionou próximo á entrada, quando saímos do carro foi confuso, ele me puxou pelas mãos e entramos correndo, ele parecia procurar por amigos e conhecidos, nós ainda não sabíamos quem eram os vampiros mortos. Aida me seguia às pressas, mas ela também procurava. Leona veio correndo para junto de nós e me abraçou.

- Querida! Fiquei preocupada! Crianças são sempre mais susceptíveis á esses ataques horrendos.

- Eu estava com Pierre e os outros. – Leona olhava para os lados parecia preocupada com alguém. – Davi estava conosco.

- Que bom! – Ela continuava buscando alguém, aflita, seus olhos estavam avermelhados, o que indicava que ela havia chorado.

Todos pareciam buscar por alguém. Raven surgiu por trás de Pierre, eles se cumprimentaram. Leona olhou para Raven, e escondeu seu rosto, eu vi uma gota de sangue descer de seus olhos, Raven olhou-a e correu para tomá-la em seus braços.

Retiramos-nos silenciosamente para que não atrapalhássemos este momento entre os dois, eu sabia que embora Leona vivesse com Davi, era Raven que ela amava.


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Raven procura por aqueles a que gostava na multidão, mas principalmente por Leona, sua doce e forte Leona. Primeiramente viu apenas Clarissia, também estava preocupado com ela, os novatos eram presas fáceis para lobos e caçadores, ainda não conseguiam se defender com precisão. Já havia visto Martim, e ele estava bem.

Ao cumprimentar Pierre, que obviamente estava com Clarissia viu Leona atrás da sua nova protegida, não pode segurar nenhum impulso, principalmente ao perceber que Leona também o queria. Raven passou por Pierre e Clarissia, para finalmente tomar a sua Leona nos braços.

Leona se sentiu abraçada por Raven, não conseguiu se opor á ele, apenas se permitiu sentir o gosto do seu beijo, o seu toque carinhoso no rosto.

- Eu estava tão preocupado com você! – Ele segurou o rosto dela entre as mãos e lhe deu outro beijo.

- Eu também fiquei Raven. – Ela permitiu que sua cabeça descansasse sobre o peito de Raven. – O que aconteceu Raven? O ataque foi na cidade? Foi dentro de Paris?

- Estamos investigando melhor. Ainda não sabemos como aconteceu, encontramos três corpos carbonizados, ambos com caninos proeminentes, e um deles era o corpo de uma mulher. Enquanto não lhe tivesse em meus braços não me tranqüilizaria.

- Davi me ligou e disse o que havia acontecido. Ele não me detalhou o sexo dos corpos, mas ainda assim, pensei o pior, pensei em você, você é um Prinigênie, você ajuda aquele porco! – Leona tentou se afastar de Raven, mas foi impedida.

- Eu sei o que eu sou! Sei que ao aceitar ser um eu te perdi. Leona, minha Leona, porque você não consegue entender?

- Eu não quero ao meu lado alguém tão intimamente ligado com as sujeiras da Seita!

- Eu seria condenado á morte se eu não aceitasse o cargo. – Raven estava magoado. – Leona, minha querida, você sabe muito bem disso!

- Você escolheu Villon, você o preferiu!

- Leona, não seja infantil! Você sabe muito bem das conseqüências caso eu negasse este cargo! Você se esqueceu que eu era o assassino do último príncipe?

- Eu... Eu sempre soube desta história...

- Eu também já tentei matar Villon, então quando ele assumiu o poder e soube que eu havia sido feito vampiro ele me quis bem debaixo do seu nariz.

- Porque você fez isso?

- Quando eu fiz, eu jamais imaginei que me tornaria um vampiro um dia.

- Não foi isso que eu lhe perguntei.

- Eu matava vampiros, bruxas, lobisomens, matar Villon não te parece natural? Ele havia assassinado um poderoso Barão da cidade, Barão que eu lhe devia obrigações, devo admitir que era uma vingança, mas nunca imaginei que aquele cretino era tão poderoso.

- Céus! – Leona se permitiu ser abraçada.

- Leona, você não pode continuar jogando com Davi da forma como você faz.

- Davi? – Leona deu uma gargalhada abafada, sarcástica e ao mesmo tempo triste. – Como é mesmo que Davi diz? É: “podemos nos distrair enquanto você estiver disposta.” Céus Raven! Davi só está comigo por falta de algo melhor para fazer.

- E porque você se permite essa situação?

- Eu não quero pensar em você! Eu não suporto isso!

- Meu amor, nós nos amamos! Não é justo que fiquemos assim. – Leona se desvencilhou lentamente dos braços de Raven e deu alguns passos para trás.

- Eu te amo Raven! Nunca nem por um segundo eu deixei de te amar! – Uma nova gota de sangue desceu de seus olhos de esmeralda. – Mas eu não quero ter de ficar envolvida com alguém submisso ás ordens de François Villon!

- Leona, você não pode deixar sua aversão á Villon nos separar.

- Eu o odeio Raven! Eu o odeio! Odeio o que ele me fez! Odeio que ele tenha nos separado!

- Você não precisa deixar que ele nos separe. – Raven segurou sua mão e a trouxe lentamente para perto dos seus braços, para perto de seus lábios pra envolvê-la em outro beijo. – Leona, dê uma chance para si mesma, dê uma nova chance á nós dois.

Leona deixou sua cabeça dependurada no ombro de Raven, permitindo que a cabeleira loura caísse como uma cortina sobre eles.


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Sentamos-nos em uma pedra no jardim do casarão, Pierre e Josh improvisaram uma fogueira, Lisandra havia se unido ao nosso pequeno grupo, Davi estava sentado ao meu lado, brincando de bateria imaginária com dois gravetos.

- Davi?

- Estou te ouvindo. – Não parecia.

- Leona e Raven se acertaram.

- O que te faz ter certeza disso?

- Eu sou mulher. Eu apenas sei.

- Que bom! Esporo que ele faça a minha senhora muito feliz.

- Isso é sincero?

- Porque não seria?

- A relação de vocês...

- Era um mero passa-tempo. Tanto eu quanto Leona sabíamos bem disso. – Davi olhou para os lados. – E tem uma outra coisa, eu nunca amei nenhuma mulher ou vampira, nunca. E nem pretendo amar, nada contra quem se entregue á este sentimento, é bastante nobre, mas eu o vejo como algo que atrasa muito.

- Atrasar?

- Sim. Veja bem, você é muito boa! Você alcança uma evolução que eu demorei alguns anos pra atingir, e você já vai aperfeiçoando isso tudo em menos de um ano completo, imagine se não tivesse um amor para se preocupar?

- Acho que isso não me interferiria em nada, este é o meu ritmo. Amar ou não alguém não interfere nisso.

- Pode até ser, mas eu prefiro dessa forma.

- Mas e se acontecer?

- Se acontecer o que?

- Ora! Como o que? Você gostar de alguém?

- Não, isso não vai acontecer. – Novamente Davi olhou para os lados. – E nossa banda? Quando começamos?

- Que banda?

- A banda que vamos formar, ou você acha que um talento do seu vai ser desperdiçado?

- Mas você gosta das mesmas coisas que o Pierre não é?

- Sim.

- Davi, minha formação é para música clássica, eu não conheço bem aquele estilo.

- Que bom que você é formada em música clássica, é muito útil para você cantar o que eu te imaginei cantando.

- Eu não conheço as músicas.

- Você fala inglês?

- Sim, mas pouco.

- Tem computador?

- Sim, claro que sim.

- Ótimo! Não tem desculpas.

- Mas Davi o sotaque do meu inglês é muito forte. Não é uma boa idéia.

- Claro que é! Clair, sinceramente, que Leona e Aida não me ouçam, mas você é o que de melhor já surgiu entre nós! Você é muito boa! – Ele olhou mais uma vez para os lados, Pierre e Josh voltavam limpando as mãos em seus casacos. – Pergunte á eles depois.

- Perguntar o que?

- Ela não canta bem? Não é a melhor?

- Se não fosse assim, a Clair não seria uma Filha do Som.

- Você sabe que é a melhor! – Pierre se abaixou para me dar um beijo rápido. –Ouvi rumores de que o Villon já chegou.

- A coisa deve estar bem fora de controle pra ele sair da fortaleza protegida dele.

- Faz sentido. Um ataque de lobos dentro de Paris eu acho que isso nunca aconteceu.

- Nicolai me garantiu que não. – Era a primeira vez que Lisandra se pronunciava. – Os anciões estão alarmados.

- Ele vai falar conosco aqui fora ou lá dentro? – Perguntei.

- Acho que aqui mesmo. A Prinigênie e os xerifes nos permitiram fazer fogueiras.

O mesmo homem forte que fez a reunião no dia em que fui apresentada aos outros vampiros entrou com um microfone e uma caixa de som.

- François Villon!

Ele apenas chamou este nome e todos se calaram. Um vampiro alto, de cabelos castanhos compridos com uma capa de veludo vermelha por de cima de vestes negras entrou, eu segurei firme as mãos de Pierre, olhar aquele rosto me causou vertigem.

Aquele velho filme se passava na minha cabeça.

Eu escutei um grito horrível, aquele vampiro se jogava sobre mim, eu tentei me proteger com minhas mãos, mas ele era muito mais forte que eu, uma tola comparação de forças, uma bruxa e um vampiro. Eu gritava horrorizada e ele continuava a me agredir, escutei ainda um uivo.

- Clair? Clair meu amor? – A voz de Pierre me acalmava. Olhei para o vampiro que falava de ataques de lobos, ele havia me atacado, ou atacado Justinie.

- Pierre, eu já o vi antes!

- Como minha linda? Ele praticamente não sai.

- Eu já o vi nos meus sonhos com Justinie. – Eu tremia e minha voz saía entrecortada, olhar aquele vampiro me causava pânico.

- Fique calma meu amor. – Senti aquela familiar onda de paz me invadir, Pierre falava em meus pensamentos, me trazia calma. – Tente se acalmar agora, depois eu quero que me conte o que viu.

Eu não conseguia olhar Villon se pronunciar, ele pedia que evitássemos cassar sozinhos, pedia que andássemos em grupos de ao menos três vampiros, que por hora não viajássemos e nem nos afastássemos do centro. Ele então mencionou as mortes e o nome dos vampiros que morreram, eu obviamente não conhecia nenhum deles, mas Pierre e Josh que eram os mais antigos no nosso pequeno grupo pareceram perplexos, eu corri os olhos e enxerguei longe, Raven abraçado á Leona e Martim junto deles.

- Eram seus conhecidos?

- Não exatamente. Eram vampiros antigos. Eram Algozes e fiscalizavam as fronteiras da cidade.

O Príncipe deu as costas e saiu, senti um grande alívio com isso, Pierre me abraçou forte e segurou meu rosto.

- Eu vi tudo linda! Eu vi o que aconteceu com Justinie.

- Céus! O que ele fez com ela?

- Espero que o autor daquele uivo não tenha permitido que ele concretizasse ás más intenções.

Pierre me levou pela mão até Lisandra.

- Oi bonitinha! – Ela me saldou. – Quase não vejo vocês mais! Lua de mel eterna?

- Merecemos, não é Lis?

- Merecem sim.

- Lis, estamos indo para perto do Louvre, vamos ficar na casa da Clair, por ser um apartamento, mais seguro. È perto da sua casa, quer carona?

- Obrigada! Nicolai ficou de vir me encontrar para irmos juntos, ele estava no conselho com os outros líderes dos clãs principais e assim que acabar ele vem me pegar.

- Tudo bem.

Saímos e deixamos Lisandra sentada na varanda. Josh iria com outros como ele e Aida e Davi iriam voltar no carro da Leona que iria ficar na casa de Raven. Eu procurava por Martim. O encontrei sentado um pouco mais afastado, pedi que Pierre me deixasse ir sozinha até ele. Cheguei perto dele devagar e coloquei minha mão sobre seu ombro, ele parecia saber que era eu quem estava atrás dele, continuou contemplando á lua.

- Oi Clair.

- Como sabia que era eu? O elemento surpresa não existe entre vampiros?

- Você é sempre assim? Com um senso de humor tão evidente?

- Eu tenho de ter senso de humor, se dependesse de você...

- Era evidente que era você, por causa do seu cheiro. É um cheiro floral característico.

- O Raven já me disse isso.

- Tente nos entender, mas é impossível não te comparar com minha mãe.

- Queria te perguntar algo sobre ela.

- Pode perguntar.

- Ela conhecia o Príncipe?

- François? – Finalmente Martim me encarou e ele parecia triste. – Eu não sei com certeza, mas talvez Raven saiba, você já perguntou á ele?

- Ele estava com a Leona, não queria atrapalhar. – Martim franziu o cenho e fechou os olhos.

- Você quer mesmo saber?

- Não quero incomodar Raven e Leona, acho que minha dúvida pode esperar por um outro momento. – Eu ia dando as costas, mas senti que ele queria conversar um pouco mais. – Está tudo bem com você?

- Eu conhecia a mulher que morreu. – Ele me disse sem pensar.

- Sinto muito.

- Ela não era má. Ela também conheceu minha mãe e o Yenz também, ela o conheceu muito bem.

- Por favor, Martim, não o difame para mim. Mantenha a memória de seu pai íntegra.

- Isso é impossível! – Ele riu amargamente. – Mas Anna Belle era justa, e era muito poderosa! Não éramos os melhores amigos, mas não foi justo, a forma como aconteceu foi injusta.

- Parece que Justinie conheceu muitos vampiros.

- Nós vivíamos neste mundo. Quero dizer, ela era casada com um lobisomem, era uma bruxa, ela conhecia todos os seres sobrenaturais existentes. Tentou ser amigável com todos e quase morreu por isso.

- Se sua mãe conhecia muitos vampiros de Paris ela poder ter conhecido François, não pode?

- Não é impossível, ele começou á governar Paris um tempo depois que meu avô morreu.

- Você sabe como ele morreu não sabe?

- Sim, ele foi assassinado.

- Martim, eu não quero que você fique nervoso, por favor, me prometa que vai manter a calma. – Ele me confirmou. – E se eu disser que tenho razões inexplicáveis para acreditar que foi François Villon quem matou seu avô, e também que ele agrediu Justinie.

- Como você chegou á essa conclusão?

- Eu sonhei com a noite em que seu avô morreu e seu pai consolava Justinie, dizendo que mesmo que seu avô duelasse bem, ele seria apenas um mortal lutando contra um vampiro. E hoje, vi de forma nebulosa François Villon tentando atacar Justinie, não vi o que houve depois, mas o uivo de seu pai ecoava em minha cabeça.

- Yenz a defenderia se pudesse, isso devo assumir. – Ele deu de ombros. – François teria uma atitude mesquinha mesmo á ponto de atacar uma mulher indefesa, mas pode acreditar, nenhum vampiro seria capaz de machucar minha mãe, não por muito tempo.

- Por quê?

- Ela era uma bruxa lunar, não é bem este o nome, mas ela era regida e protegida pela lua, vampiros só atacam á noite, pois o sol, como você sabe é o nosso algoz, mas mamãe tinha influência nos raios lunares ela podia fazer com que a luz da lua se tornasse tão mortal quanto à luz solar.

- Ele não a feriu então?

- Não por muito tempo, eu asseguro. Gostaria de ter visto esta cena.

- Martim, os olhos do seu pai se iluminaram de tal forma quando ele soube que Justinie o esperava, ele te amava tanto!

- Porque está me dizendo isso agora? – Ele ficou sem expressão, mas eu estava á beira das lágrimas, me senti invadida pela tristeza de Justinie. Quando olhei para trás vi que Pierre lutava contra sua vontade de vir até mim, ele sabia e respeitava o fato de que eu gostaria de estar á sós com Martim.

Senti a paz me envolver nos braços de Yenz, como descrever tal felicidade? Um filho em meu ventre! O símbolo do nosso amor! Yenz acariciava meu ventre ainda pequeno, inicialmente eu não acreditei na Gárgula, não sentia nada que uma grávida devia sentir, mas mamãe viu a luz de outra vida em mim, Pedro também viu, eu comecei a sentir a pequena presença daquele novo ser que eu hospedava como todo o amor que eu podia e não podia dar á alguém, agora eu compreendia melhor a forma como mamãe me via, a forma como cuidava de mim, não existia nada no mundo que eu amaria mais que aquele pequenino ser no meu ventre. Yenz estava tão maravilhado, mas também apreensivo, temia que nosso filho fosse como ele, eu amaria de qualquer modo. Amor, eu me resumia ao mais puro amor, em alguns meses estaria com nosso filho nos braços.

- É engraçado, mas é um sentimentopara acreditar que foi François Villon quem matou seu avido François, nava no conselho com os outros lguro. enxerguei longe, Ra tão indescritível que tenho por ele! – Yenz segurava minha barriga com carinho, acariciando-a totalmente, beijando-me a nuca e os ombros. – Nem sei como é nosso filho, mas já daria minha vida por ele!

- És tão maravilhoso! Nosso pequeno chegará em breve e trará alegrias para nós dois, ele será uma criança de luz!

- Se vem de ti ma belle, será de luz! – Ele me virou lentamente e beijou-me com carinho. – Amo muito vocês dois! Amo mais que qualquer coisa! Morreria feliz por vocês!

- Clarissia? Por favor, diga alguma coisa. – Martim estava de pé na minha frente. Pierre me olhava apreensivo, ela já sabia que eu acabara de outra visão. Martim me soltou devagar. – Achei que fosse desmaiar.

- Você pode? Não pode? Ver minha mente como Pierre faz, entrar em meus pensamentos, se pode faça, quero que você faça!

- Posso, mas eu roubo sua energia ao fazer isso, Pierre não rouba, você vai se sentir fraca e pode passar mal.

- Não me importo! Faça! Faça, por favor. – Eu chorava. Martim não sabia exatamente lidar com essa situação e Pierre precisava se segurar em uma mesa de jardim para não vir até nós. – Faça Martim!

Martim fez com que eu me sentasse. Ao contrário de olhar fundo em meus olhos ele tomou meu punho entre as mãos e mordeu-me, senti que entrava em uma espécie de transe enquanto ele sugava meu sangue, comecei a pensar em cada detalhe do que havia visto anteriormente entre Yenz e Justinie, e de alguma forma, eu sabia, ele também via cada detalhe da minha lembrança. Eu estava fraca, minha consciência escapava de meus dedos, sentia que começaria a alçar um vôo longínquo, sim, naquele momento eu podia voar.

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Pierre assistia á tudo, ele queria ir para junto de sua amada, mas respeitaria aquele momento sagrado entre ela e Martim. Ele respirava entrecortadamente, mas não soube se controlar quando viu que Martim bebia do sangue de sua Clarissia, aquilo não! Pierre correu para cima dele com sua velocidade sobrenatural, ele estava prestes a dar um soco na nuca de Martim quando ele se virou para ele com o rosto sujo de sangue, lágrimas de Martim se misturavam ao sangue de Clarissia. Pierre perdeu momentaneamente sua força, seu braço caiu, Martim se lançou em seu braço, Pierre não sabia o que fazer com um vampiro tão antigo que lhe pedia abrigo como uma criança que acaba de ter um pesadelo pede ao pai.

- Eu não tenho perdão! – Martim disse abafado por lágrimas.

- Do que está falando? – Pierre tentava acalma-lo com um braço envolvendo seus ombros e o outro dando palmadas de leve em suas costas. – O que você fez com ela?

- Não finja que não sabe! Foi ela quem quis desta forma. Ela tinha de me mostrar isso! E eu? Eu sou um monstro!

- Tente se acalmar! Clair precisa de nós! De nós dois! – Martim soltou Pierre e ele tomou Clarissia nos braços, estava desacordada.

Pierre viu que o sangue era pouco em suas veias, ela estava fraca demais.

- Tem sangue nessa casa Martim? Villon deixou sangue aqui?

- Eles me amavam! Ele me amava!

- Martim! Por favor, cara, você tem que me ajudar! Ela também te ama, você tem de me ajudar á salva-la!

Martim parecia delirar, Pierre se conectou mentalmente á Josh, ele estava no casarão ainda, e era o único que poderia o ajudar. Alguns instantes depois Josh estava lá.

- O que aconteceu aqui? – Pierre carregava Clarissia nos braços e Martim estava deitado na neve, na neve vermelha de sangue.

- Sangue, preciso de sangue para alimentá-la!

Josh olhou á sua volta, procurava pelas tradicionais geladeiras com bolsas de sangue sempre presentes nas reuniões da Seita, não via nenhuma perto, deixou seu espírito viajar para dentro do casarão, em uma sala viu uma geladeira com várias bolsas de sangue dentro, voltou e transmitiu a imagem para Pierre mentalmente, o amigo saberia e chegaria lá mais rápido que ele. Pierre entregou Clarissia para Josh, que apoiou sua cabeça em seu ombro e procurava limpar o sangue que Martim deixara cair e sujar o pescoço dela. Pierre não demorou a voltar, com a ajuda de Josh ele dava o sangue de beber a sua Clarissia. Eles não demoraram a dar o conteúdo de sete bolsas de sangue para Clarissia beber. Pierre se permitiu encostar-se a uma pedra e suspirou aliviado ao ver que ela recuperava sua força, logo estaria acordada.

- O que aconteceu aqui? – Josh segurava bolsas vazias de sangue nas mãos.

- Você acha que pode o fazer voltar ao normal? – Pierre apontou para Martim, deitado no chão em posição fetal e coberto de neve.

- Talvez. – Josh foi até ele, segurou seus braços e o encarou, chamava-o mentalmente, dando ordens para que recuperasse á razão. – Nossa, foi pior que pensei que pudesse ser.

Martim levantou-se lentamente, chorava baixo agora, parecia envergonhado de fazer aquilo diante de Pierre e Josh, mas não podia parar de fazer também, Josh lhe lançou duas bolsas de sangue e ele apenas as segurava, incapaz de tomar alguma atitude no momento, Clarissia ainda estava sem consciência e ele sentia-se muito culpado por isso.

- Pierre, eu sei o que eu fiz... – Começou sem jeito, Pierre o olhou, não o odiava por aquilo. Pierre não o odiava.

- Eu entendi. Eu sei o que ela te pediu, não esperei que fizesse da forma como fez, mas eu posso entender isso.

- Cara, você sabe que não pode fazer isso, você já fez isso uma vez, e não pode fazer outras vezes.

- Não venha me ensinar nossas regras seu trevosinho! – Josh ameaçou ir para cima de Martim, mas Pierre estendeu seu braço, impedindo-o.

- Deixa ele cara!

Josh concordou a contra gosto. Pierre escutou um gemido de leve no seu colo, Clarissia abriu os olhos lentamente, ele sabia que ela ainda estaria fraca e debilitada, levantou-a lentamente, escorando o rosto pequeno dela em seu ombro.

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Eu comecei a cair do meu vôo forçado, não tinha força nas pernas, e ainda não conseguia falar, ao abrir meus olhos me deparei com Pierre, me carregando, com Josh apenas observando e com Martim, seu rosto estava muito sujo de sangue e isso me assustou, tentei levantar, mas minha cabeça pesava mais que meu corpo e se não fosse por Pierre me segurando eu teria caído no chão.

- Meus irmãos me chamam.

- Pode ir Josh. – Pierre se levantou, ele me carregava com facilidade, embora me sentisse tão pesada. – Valeu cara!

Josh saiu caminhando depois de dar um tapa de leve nos ombros de Pierre. Eu fechei meus olhos, mas estava ciente de tudo.

- Vamos? – Abri meus olhos para ter certeza se estava correta, Pierre fazia esta pergunta para Martim.

- Vamos? Como assim?

- Como assim? Você tem coragem de me perguntar? Acha mesmo que vou tirar meus olhos de você? – Ele deu um risinho. – Você vai comigo para a casa da Clair! Isso é uma ordem!

Fechei meus olhos novamente e escutei os passos de duas pessoas amassando a neve, abri novamente meus olhos ao sentir meu corpo sendo deitado no banco macio do carro.

- Tudo bem minha linda, estamos indo pra casa. – Respondi com um sorriso, não queria falar nada, tentava recordar o que exatamente havia acontecido. – Você sabe dirigir?

- Nunca precisei disso antes. – Martim respondeu.

- Cuide dela ai atrás então! – Ordenou Pierre. Martim levantou minhas pernas e se sentou, olhou para Pierre pedindo permissão para colocar minha cabeça em seu colo. – Não deixe que a cabeça dela fique balançando. – Foi assim o consentimento de Pierre.

- Você ainda a vê como uma mulher mortal não é?

- Ela sempre vai ser delicada aos meus olhos.

Pierre fechou a porta e foi para o banco da frente, começara outra nevasca, apenas mais uma em um dos invernos mais rigorosos que eu havia visto até então.




~~~~~~~> Queridos, espero que gostem, e que tenham lembrado de como era a história, agora que não tenho mais preocupações com vestibular posso me deleitar com meus dedinhos furiosos no teclado e escrever muito, muito e muito, tirando o atraso e matando a saudade...

~~~~~~~~>> Amores, eu hoje entrei bastante no mundinho mágico da White Wolf, talvez, para alguns tenha ocorrido uma pequena confusão com relação aos dons vampíricos dos meus personagens, vou passar um link que fala tudo sobre as disciplinas que vocês precisam saber:

http://racasderpgeduardoteixeira.blogspot.com

Procurem por: Vampiro: Disciplinas Sublimado; Melpominee; Auspicius, no arquivo de outubro.

~~~~~~~~~~~~>>> Mein Herr, Ich Liebe Dich!!!! 1000000000000 Küsses!!!



...A Dama da Noite...


Um comentário:

Vinícius disse...

Depois você nos conta sobre os assuntos tratados na reunião ok? Afinal de contas, a reunião não era sobre as fraquezas, amores e desamores de Clair e Pierre, e acho que os membros ficariam mal vistos conversando um assunto particular em separado nessa situação de emergência hehe... ;D
Isso me deixou curioso. Agora, adorei Villon,vc descreveu o olhar sobrenatural e macabro dele de forma tao perfeita que me lembrou os personagens mais sombrios que conheci até então. Muito original a idéia de lupinos atacarem próximo a cidade. Continue escrevendo, quero saber o desfecho desse caso! TE AMO MUITO!!!! 100000000 Beijos pra vc, estou sempre com saudades de ti minha linda.